A palavra “economia” pode causar um certo receio quando associada à contratação de pessoas. Muitos gestores temem que reduzir custos signifique abrir mão de bons profissionais. Mas a verdade é que a economia na contratação de funcionários não precisa interferir na taxa de acerto na escolha de novos talentos.
O que realmente encarece a contratação não é o salário oferecido ao novo talento da empresa, são todos os processos que vêm antes e depois da admissão. Se esses processos não são bem planejados, o empregador pode enfrentar um ciclo contínuo de novas seleções e tornar a economia inicial um prejuízo no longo prazo.
O desafio, então, é encontrar o equilíbrio entre eficiência e custo. Este artigo explicará mais sobre como mensurar o impacto financeiro do recrutamento e seleção, e apresentará estratégias para reduzir gastos sem perder a eficiência na formação da equipe. Confira, na lista abaixo, o que será apresentado mais adiante:
- Economia na contratação de funcionários: é possível?
- Como planejar o recrutamento?
- Diferentes modelos de recrutamento influenciam a economia na contratação de funcionários?
- Como calcular o custo de contratação de um funcionário?
- Como definir uma estratégia de economia na contratação de funcionários?

Entenda como contratar bem e economizar podem — e devem — andar juntos!
Economia na contratação de funcionários: é possível?

É, sim, possível economizar na contratação de funcionários, mas a questão não é simplesmente gastar menos, e sim contratar de forma mais inteligente. A economia real acontece quando a empresa reduz desperdícios, evita contratações erradas e maximiza o retorno sobre o investimento em cada novo colaborador.
Segundo levantamento da Society for Human Resource Management (SHRM), o custo total para contratar um novo funcionário pode ser de três a quatro vezes o salário do cargo. Isso significa que, ao contratar alguém para ganhar R$ 5.000, o real impacto financeiro pode chegar a R$ 20.000.
Há também um fator muitas vezes ignorado: a perda temporária de produtividade. Mesmo que o novo funcionário tenha experiência na função, ele precisa de um período para se adaptar à cultura organizacional, aos processos internos e às ferramentas da empresa.
Esse tempo de aprendizado pode significar uma queda na produtividade, pois ele ainda não está preparado para desempenhar suas funções no ritmo esperado. E, se a empresa precisa oferecer treinamentos por meio de cursos externos, isso gera um custo a mais.
Portanto, economizar na contratação de novos funcionários não significa apenas cortar gastos superficiais do orçamento; significa repensar toda a estratégia da empresa para a aquisição e retenção de talentos.
Como planejar o recrutamento?
O fator principal para planejar contratações é a precisão na definição do perfil ideal do profissional, e isso acontece por um motivo simples: quanto mais alinhado o contratado estiver com a vaga e a cultura da empresa, menor será o risco de erros, retrabalho e turnover precoce.
O alinhamento dos novos talentos com as necessidades da empresa é o que contribui para o aproveitamento das contratações, como explica Cristina Pereira, coordenadora de operações na Comunitive: “É importante aproveitar o melhor de cada time e de cada pessoa, direcionando-as para atividades onde possuem maior aptidão”.
Para maximizar o orçamento dedicado ao recrutamento de candidatos, o planejamento precisa começar muito antes da abertura de uma vaga. O ideal é que o RH da empresa avalie sua estrutura, entenda quais cargos são realmente necessários e identifique possíveis oportunidades de realocação de talentos internos.
Sempre que um profissional já integrado e experiente puder assumir novas funções com um treinamento direcionado, evita-se um processo seletivo externo. Como consequência, é possível reduzir custos com divulgação de vagas, entrevistas e onboarding.
Quais os principais custos ao contratar um funcionário?
O custo total da contratação inclui despesas diretas e indiretas, que abrangem desde o recrutamento até a adaptação do colaborador ao ambiente de trabalho:
- Despesas com divulgação de vagas, plataformas de recrutamento, consultorias especializadas e tempo investido pelos profissionais de RH no processo seletivo;
- Impostos obrigatórios, como FGTS, INSS e 13º salário;
- Custos com onboarding, capacitações iniciais, materiais de suporte e tempo dedicado pelos gestores para a adaptação do novo colaborador;
- Dependendo da função, a empresa pode precisar fornecer novos equipamentos, como computadores, celulares, uniformes e mobiliário adequado.
A chegada de um funcionário exige ajustes no fluxo de trabalho e redistribuição de tarefas. Se essa transição não for bem conduzida, pode gerar sobrecarga para os colaboradores atuais e até comprometer o desempenho geral de um setor.
Por que é importante saber quais são os custos de contratação?
Cada funcionário contratado representa um investimento, e ignorar os gastos envolvidos pode comprometer o orçamento, aumentar a rotatividade e prejudicar a produtividade da equipe.
Quando uma empresa entende esses custos em detalhes, ela consegue planejar melhor suas contratações, evitar desperdícios e garantir que cada novo colaborador traga um retorno real para o negócio.
Será que realmente é necessário contratar alguém novo ou é possível realocar talentos internos? Existe uma maneira mais eficiente de conduzir o recrutamento e acelerar o onboarding? Com essas respostas, é possível transformar a contratação em um processo mais alinhado às demandas da empresa e menos oneroso.
Diferentes modelos de recrutamento influenciam a economia na contratação de funcionários?
Algumas modalidades de trabalho exigem encargos trabalhistas e investimentos em benefícios, outras oferecem mais flexibilidade e redução de tributos. A seguir, entenda como os principais modelos interferem no orçamento para a contratação de talentos.
CLT
A contratação pelo regime da CLT é a mais tradicional e assegura ao empregado uma série de direitos garantidos pela legislação trabalhista, como 13º salário, férias remuneradas, FGTS e benefícios previdenciários.
Além do salário, a empresa precisa arcar com encargos trabalhistas que, dependendo do setor e do acordo sindical vigente, podem representar um acréscimo sobre o salário bruto do funcionário.
Apesar dos altos custos, a contratação CLT pode ser vantajosa financeiramente em setores que exigem estabilidade e baixa rotatividade, uma vez que a empresa investe no desenvolvimento do colaborador no longo prazo.
PJ
O regime PJ permite que a empresa contrate profissionais como Pessoas Jurídicas prestadoras de serviço, ou seja, sem encargos trabalhistas. O pagamento é feito mediante emissão de nota fiscal, e o profissional é responsável por sua própria previdência e tributos.
Do ponto de vista financeiro, a contratação PJ pode reduzir os custos totais quando comparada à CLT, uma vez que elimina obrigações como 13º salário, FGTS e benefícios obrigatórios.
Terceirização
A terceirização permite que a empresa delegue determinadas funções a outra organização especializada, que se torna responsável pela contratação, pela gestão e pelo pagamento dos funcionários. Esse modelo é regulamentado pela Lei 13.429/2017 e pode ser aplicado tanto para atividades-meio (como limpeza e segurança) quanto para atividades-fim.
Financeiramente, a terceirização reduz custos com gestão de pessoal, encargos trabalhistas e infraestrutura, já que a empresa contratante não se responsabiliza diretamente pela administração dos funcionários.
Estágio
O contrato de estágio é regulamentado pela Lei 11.788/2008 e destina-se a estudantes que precisam de experiência prática em suas áreas de formação. Esse modelo não configura vínculo empregatício e, por isso, não gera obrigações como FGTS e 13º salário.
Do ponto de vista econômico, o estágio é uma alternativa de baixo custo para a captação de talentos, porque permite que a empresa forme profissionais desde cedo com um investimento reduzido.
Jovem aprendiz
O programa Jovem Aprendiz, regulamentado pela Lei 10.097/2000, tem como objetivo capacitar jovens entre 14 e 24 anos para o mercado de trabalho. As empresas de médio e grande porte são obrigadas a contratar entre 5% e 15% de aprendizes em relação ao total de funcionários.
O contrato possui prazo determinado de até dois anos, e o jovem tem jornada reduzida para conciliar trabalho e estudo. Os custos da modalidade são inferiores aos de uma contratação CLT convencional, pois os encargos trabalhistas são reduzidos e a empresa recebe incentivos fiscais.
Como calcular o custo de contratação de um funcionário?

O custo de contratação de um funcionário é o valor total que a empresa investe desde o recrutamento até o momento em que o colaborador se torna produtivo. Esse cálculo deve considerar custos diretos, como salário e encargos trabalhistas, e custos indiretos, como recrutamento, treinamento e perda de produtividade inicial.
Considere a contratação de um analista com salário bruto de R$ 5.000. Os encargos trabalhistas somam aproximadamente 80% do salário (R$ 4.000), gerando um custo mensal de R$ 9.000.
Se o recrutamento custou R$ 2.500, o treinamento R$ 1.500 e o tempo de adaptação gerou uma perda estimada de R$ 5.000 em produtividade, o custo total da contratação no primeiro mês será: R$ 2.500 (recrutamento) + R$ 1.500 (treinamento) + R$ 5.000 (adaptação) + R$ 9.000 (salário + encargos) = R$ 18.000.
O valor final pode ser ainda maior em caso de turnover precoce, pois a empresa teria que repetir o processo. Por isso, melhorar o recrutamento e investir em retenção são estratégias para reduzir esse custo.
Como definir uma estratégia de economia na contratação de funcionários?
Definir uma estratégia de economia na contratação significa reduzir custos sem comprometer a qualidade da equipe. Veja o passo a passo do planejamento:
- Antes de abrir um processo seletivo, avalie se a função pode ser redistribuída internamente ou se há alternativas mais econômicas, como treinamentos e promoções internas;
- Escolha o modelo de contratação, como CLT, PJ, terceirização, estágio ou jovem aprendiz;
- Invista em anúncios de vagas mais segmentados. Entrevistas objetivas e testes bem estruturados evitam desperdício de tempo e recursos na seleção;
- Acelere a adaptação para que o colaborador atinja sua produtividade máxima e minimize custos com baixa performance inicial.
Lembre-se da retenção. Funcionários satisfeitos permanecem mais tempo na empresa, reduzindo a necessidade de novas contratações e os custos com turnover. Salário competitivo, benefícios e um bom ambiente de trabalho são fatores indispensáveis.
Conclusão
Fica clara a necessidade de economia na contratação de funcionários quando se analisa os custos comuns de um processo de recrutamento e seleção. Mas economia não é o corte de gastos de forma indiscriminada ou o comprometimento da qualidade das contratações.
A verdadeira economia está em reduzir desperdícios e garantir que cada contratação seja um investimento estratégico. Como foi visto, a melhor forma de alcançar esse equilíbrio é na definição de quem a empresa realmente precisa contratar para evitar admissões impulsivas.
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