Empresas que não investem em uma cultura de segurança forte podem contribuir para estatísticas preocupantes, como o registro de acidentes de trabalho e o afastamento de funcionários.
Segundo dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, somente em 2022, foram comunicados mais de 600 mil acidentes de trabalho, que resultaram em mais de 148 mil concessões de auxílio-doença.
Esses números reforçam a necessidade de as empresas enxergarem a segurança como um pilar estratégico para o sucesso organizacional, mas isso exige a superação de alguns obstáculos. Este artigo explicará quais são esses desafios e como superá-los. Para isso, serão abordados os seguintes tópicos:
- O que é cultura de segurança?
- Quais são os componentes da cultura de segurança?
- O que impede uma cultura de segurança eficaz?
- Como transformar segurança em um valor da empresa?

Boa leitura!
O que é cultura de segurança?
A cultura de segurança se refere a um conjunto de valores, atitudes e práticas para garantir um ambiente de trabalho seguro para todos os colaboradores. O objetivo é reduzir riscos e prevenir acidentes, assegurando as condições necessárias para que os funcionários trabalhem em locais saudáveis e protegidos.
Quais são os benefícios da implementação dessa cultura?
Empresas que priorizam a segurança e a saúde no trabalho aproveitam benefícios que impactam sua produtividade, clima organizacional e até reputação no mercado.
Confira as principais vantagens de investir nesse tipo de cultura:
- Redução dos riscos de acidentes de trabalho;
- Menos faltas e afastamentos por doenças ocupacionais;
- Aumento da satisfação e da confiança dos trabalhadores em função de um ambiente de trabalho mais seguro;
- Redução do estresse e de conflitos internos motivados por problemas de segurança;
- Melhora do clima organizacional, uma vez que o ambiente seguro promove uma relação de confiança entre empresa e colaboradores;
- Cumprimento das obrigações legais, como fornecimento de EPIs, elaboração de programas de prevenção e realização de exames médicos;
- Fortalecimento do senso de pertencimento, já que essa cultura estimula um esforço coletivo em prol de um ambiente mais seguro;
- Melhora da reputação da empresa, demonstrando responsabilidade social e compromisso com o bem-estar dos funcionários;
- Facilidade na atração de talentos qualificados;
- Redução de custos com afastamentos, indenizações e reparos emergenciais.
Quais são os componentes da cultura de segurança?

Os componentes da cultura de segurança podem variar conforme o especialista ou pesquisador consultado. De forma geral, essa cultura é baseada em liderança engajada, treinamento contínuo, comunicação aberta e adoção de normas claras de prevenção de riscos.
Entre esses componentes, a liderança é considerada um dos pilares mais importantes. Isso porque a segurança deve ser promovida ativamente pela alta gestão para que se torne um valor central da organização, como explica Mariá Menezes Boaventura, diretora de pessoas e cultura da Sankhya:
“A empresa precisa deixar claro o que espera do papel da liderança e como os líderes são fundamentais para multiplicar a cultura e impulsionar a atuação das pessoas”
O que impede uma cultura de segurança eficaz?
Existem vários fatores que podem impedir ou dificultar a construção de uma cultura de segurança robusta nas empresas. Confira a seguir os principais obstáculos à implementação de um ambiente de trabalho mais seguro:
Baixa comunicação interna
A baixa comunicação interna ocorre quando as informações sobre segurança não são repassadas a todos os colaboradores. Esse problema pode surgir quando a segurança é vista como uma responsabilidade exclusiva do setor de Recursos Humanos (RH) ou do SESMT, setor regulamentado pela Norma Regulamentadora n.º 04.
Essa visão é problemática porque transfere a responsabilidade para áreas específicas. Porém, a segurança deve ser uma preocupação coletiva. Se os funcionários não se sentem parte ativa do processo de prevenção, as boas práticas tendem a ser ignoradas ou vistas apenas como burocracia.
Falta de engajamento da liderança e dos gestores
A falta de envolvimento da liderança também é um problema. O comportamento dos líderes e gestores serve de exemplo para os funcionários. Se eles não priorizam a segurança em suas decisões e ações, os colaboradores podem subestimar sua importância e negligenciá-la no dia a dia.
Segurança vista como custo e não como investimento
Outro obstáculo importante é a percepção de que segurança representa um custo, não um investimento vantajoso para o empregador. Esse pensamento faz com que muitas empresas invistam apenas no mínimo exigido por lei para evitar multas ou processos trabalhistas.
Como resultado, os recursos destinados a treinamentos e ações de conscientização podem ser reduzidos. No longo prazo, essa postura pode levar a mais acidentes, afastamentos e prejuízos financeiros ainda maiores.
Como transformar segurança em um valor da empresa?

A segurança deve ser um compromisso coletivo, que deve ser incorporado a todas as áreas da empresa e praticado diariamente por todos os colaboradores. Por isso, não pode ser vista como uma responsabilidade exclusiva do RH ou do SESMT. Confira a seguir o que fazer para transformar a segurança em um valor real na empresa:
Criação de uma mentalidade preventiva
O primeiro passo é desenvolver uma cultura voltada para a prevenção. Em vez de apenas reagir a acidentes e problemas, a empresa deve adotar ações preventivas, como fazer inspeções regulares, cuidar da manutenção de máquinas e adotar protocolos para mitigar incidentes e facilitar a identificação de riscos.
Fornecer treinamentos dinâmicos
Treinamentos monótonos, que focam apenas aspectos teóricos e formais, tendem a ser esquecidos rapidamente e não motivam os funcionários a adotarem práticas seguras. Para evitar esses problemas, é importante investir em treinamentos dinâmicos.
Essas capacitações são baseadas em metodologias interativas, que envolvem simulações, estudos de caso e relatos reais de acidentes ou quase acidentes. Além disso, elas devem enfatizar a importância de não esconder erros. Afinal, essas falhas não devem ser motivo para punições, mas oportunidades de aprendizado e melhoria.
Criar uma cultura do relato
Criar uma cultura do relato significa estabelecer um ambiente onde os colaboradores se sintam à vontade para comunicar situações de risco, falhas ou incidentes. Para isso, a empresa deve incentivar a transparência e garantir que todas as ocorrências sejam tratadas com seriedade e de forma construtiva.
Conclusão
A cultura de segurança no trabalho envolve um conjunto de valores, atitudes e práticas que garantem um ambiente mais seguro para todos os colaboradores. Empresas que investem nessa cultura aproveitam benefícios como redução de acidentes, melhora do clima organizacional e aumento da produtividade.
Para alcançar esses resultados, é fundamental superar desafios como a baixa comunicação interna, a falta de engajamento da liderança e a visão problemática de que a segurança é uma responsabilidade exclusiva do RH ou do SESMT.
Para isso, a empresa pode investir em medidas que promovam uma mentalidade preventiva, fornecer treinamentos dinâmicos e incentivar a cultura do relato. A liderança também deve estar envolvida, demonstrando compromisso com a segurança e criando um ambiente onde a prevenção é prioridade.
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